A CHANCE DE UMA GERAÇÃO

Por Valter Júnior Jornalista, é editor de esportes do jornal Metro de Porto Alegre Triste é não ter o seu destino nas próprias mãos, caso de algumas seleções na última rodada da fase de grupos da Copa da Rússia. Algumas, como a do Japão, tinham o seu futuro sob seu controle, mas tiveram o seu […]

Por Valter Júnior

Jornalista, é editor de esportes do jornal Metro de Porto Alegre

Triste é não ter o seu destino nas próprias mãos, caso de algumas seleções na última rodada da fase de grupos da Copa da Rússia. Algumas, como a do Japão, tinham o seu futuro sob seu controle, mas tiveram o seu destino definido por outros pés. A Bélgica teve a chance de escolher o seu caminho. Optou, teoricamente, pela trilha com mais pedras no percurso. Uma oportunidade única para que sua geração de jogadores brilhantes também funcione quando a constelação está junta.

Um país de parca tradição futebolística, mas esporadicamente consegue produzir uma boa leva de jogadores. Essa é a Bélgica. Pfaff, Scifo, Grun, entre outros, marcaram o primeiro grande time belga, quarto colocado no Mundial de 1986. O segundo é este que desfila sua qualidade nos gramados russos. São equipes separadas por mais de três décadas. Uma fertilidade improvável durante tanto tempo de seca. Dos 23 convocados para esta Copa, o zagueiro Vincent Kompany é o único que era nascido no Mundial do México. Tinha poucos meses de vida quando os endiabrados belgas jogadores receberam o apelido de Diabos Vermelhos. Nunca mais assustaram ninguém.

Nenhum deles viu e sentiu o país surpreender em terra mexicanas. Não tiveram espelho para lhes ensinar os atalhos das grandes competições. Estão aprendendo no campo. Torneio a torneio. Com o erro e o acerto. Com maiores dificuldades, lógico. Os belgas de 1986 surpreenderam. Não se imaginava uma campanha de sete jogos para eles. De Hazard, de Bruyne e seus companheiros se esperava uma campanha de fôlego. Uma participação capaz de fazer o seu povo sonhar com algo que nunca teve. Eles precisam lidar com as expectativas do mundo da bola. Tão bem falados em uma terra pouco fértil de talentos futebolísticos, os jogadores ganharam uma visibilidade e uma responsabilidade inédita para a Seleção.

belgica-1986

No Brasil, parece que se não forem longe significa que esse grupo de talentos é só um grupo, desprovido de talentos. Logo num local de produção prolífica de nomes que não venceram uma Copa. Entre 1970 e 1994, a Seleção Brasileira não ganhou nenhum torneio. A ausência de conquistas com a Amarelinha não fez com que Falcão, Zico, Júnior, Sócrates, Reinaldo, Roberto Dinamite e seus contemporâneos fossem mais ou menos talentosos, ou que aquelas gerações brasileiras fossem ruins. Apenas não foram vencedores defendendo o seu país. Pode acontecer com a Bélgica. Uma equipe vencedora, principalmente num torneio de curta duração, não se constrói somente com a soma das individualidades. Onze bons jogadores não formam uma seleção vencedora. Muitas grandes equipes caíram no trajeto rumo à glória, que não foi alcançada.

Na histórias das Copas, as vitórias mais expressivas da Bélgica foram sobre o Uruguai, em 1990 e a Holanda, em 1994. Ambas na fase de grupos. Quando se deparou com grandes equipes, sua força não foi suficiente para causar impacto.

O que falta a esses talentosos jogadores é o que sempre faltou para a Seleção Belga. Falta uma grande vitória. Um resultado que faça o seu povo sonhar com uma conquista – sobre Tunísia e Panamá não conta. Um resultado que apague o ponto de interrogação sobre a Geração Belga para ser colocado uma exclamação.

Nem mesmo em 1986 um triunfo expressivo foi conquistado. Naquele ano, os belgas avançaram para as oitavas de final como os melhores terceiros colocados, após ter perdido para o México, vencido o Iraque e empatado com o Paraguai. No primeiro confronto eliminatório passaram na prorrogação pela União Soviética. Na fase seguinte superaram a Espanha, longe de ser uma fúria na época, nos pênaltis. Perderam a semifinal para a Argentina e o terceiro lugar para a França.

Ao lutarem pela vitória sobre a Inglaterra e caíram no que se imagina ser o lado mais forte do chaveamento, a Geração Belga, um dos times mais interessantes desta Copa,  escolheu a chance de mostrar que tem capacidade de encarar as seleções mais tradicionais, podendo ter Brasil, França, Argentina e Uruguai no seu caminho. Mostrou ter coragem. Seria ironia do destino a Bélgica, que escolheu o mais difícil destino, cair diante do Japão, que teve a sua vida decidida por terceiros.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Últimas Postagens

O QUE ESPERAR TATICAMENTE DE CLARENCE SEEDORF NO CORINTHIANS
Leandro Correia

O QUE ESPERAR TATICAMENTE DE CLARENCE SEEDORF NO CORINTHIANS

O QUE O PALMEIRAS DESCOBRIU SOBRE TRANSFORMAR TALENTO EM VALOR DE MERCADO
Eduardo Dias

O QUE O PALMEIRAS DESCOBRIU SOBRE TRANSFORMAR TALENTO EM VALOR DE MERCADO

O QUE ESPERAR DE JOAQUÍN FREITAS NO FLAMENGO?
Leandro Correia

O QUE ESPERAR DE JOAQUÍN FREITAS NO FLAMENGO?

PALMEIRAS X SANTOS: O CONFRONTO DE ESTILOS DISTINTOS NAS QUARTAS DA COPA DO BRASIL
Leandro Correia

PALMEIRAS X SANTOS: O CONFRONTO DE ESTILOS DISTINTOS NAS QUARTAS DA COPA DO BRASIL

ATLÉTICO-MG X CRUZEIRO: O DUELO DE ESTILOS DE JOGO NA COPA DO BRASIL
Douglas Batista

ATLÉTICO-MG X CRUZEIRO: O DUELO DE ESTILOS DE JOGO NA COPA DO BRASIL

COMO KEVIN VIVEROS SE TORNOU O ARTILHEIRO DO BRASILEIRÃO EM 2026
Leandro Correia

COMO KEVIN VIVEROS SE TORNOU O ARTILHEIRO DO BRASILEIRÃO EM 2026

DA POSSE AO ATAQUE DIRETO: COMO FRANCLIM CARVALHO MUDOU O BOTAFOGO EM 2026
Douglas Batista

DA POSSE AO ATAQUE DIRETO: COMO FRANCLIM CARVALHO MUDOU O BOTAFOGO EM 2026

COMO O ATHLETICO-PR SE TORNOU UMA DAS MELHORES EQUIPES DO BRASILEIRÃO
Leandro Correia

COMO O ATHLETICO-PR SE TORNOU UMA DAS MELHORES EQUIPES DO BRASILEIRÃO

QUAIS AS FRAGILIDADES E OS PONTOS FORTES DA NORUEGA DE ERLING HALLAND
Leandro Correia

QUAIS AS FRAGILIDADES E OS PONTOS FORTES DA NORUEGA DE ERLING HALLAND

ENTREVISTA: Como a tecnologia e os dados estão transformando a experiência e a receita dos clubes brasileiros
Footure

ENTREVISTA: Como a tecnologia e os dados estão transformando a experiência e a receita dos clubes brasileiros

COPA DO MUNDO DE 2026 | COMO JOGA O JAPÃO
Leandro Correia

COPA DO MUNDO DE 2026 | COMO JOGA O JAPÃO

COPA DO MUNDO 2026 | COMO CHEGA O MARROCOS
Leandro Correia

COPA DO MUNDO 2026 | COMO CHEGA O MARROCOS

COPA DO MUNDO 2026 | COMO CHEGA O HAITI
Leandro Correia

COPA DO MUNDO 2026 | COMO CHEGA O HAITI

COPA DO MUNDO 2026 | COMO CHEGA A ESCÓCIA
Douglas Batista

COPA DO MUNDO 2026 | COMO CHEGA A ESCÓCIA

ANÁLISE DA CONVOCAÇÃO DA INGLATERRA DE THOMAS TUCHEL PARA À COPA DO MUNDO
Douglas Batista

ANÁLISE DA CONVOCAÇÃO DA INGLATERRA DE THOMAS TUCHEL PARA À COPA DO MUNDO