O que fez Darío Sarmiento chamar a atenção do Manchester City?

Mesmo com poucas exibições com a camisa do Estudiantes, o jovem argentino já tem passagem marcada para a Inglaterra e levará um talento potencial imenso na bagagem

Nos últimos anos, um dos movimentos mais recorrentes vistos no mercado da América do Sul é a incursão do Manchester City – e, por consequência, do City Group – na busca por prodígios. Marlos Moreno, Nahuel Bustos, Diego Rosa, Yan Couto e, em especial, Gabriel Jesus são apenas alguns dos exemplos. Isso sem contar, claro, aqueles que o conglomerado adquire e mantém em sua filial no continente – o Montevideo City Torque. Neste caso, surgem os nomes de Santiago Rodríguez, além de Santiago Cartagena e Áxel Pérez, confirmados nesta última semana.

Agora, quem se junta a este grupo de jovens que rumaram para o mundo citizen é o garoto argentino Darío Sarmiento. Presença na tradicional lista Next Generation do jornal britânico The Guardian em 2020, o ponta de apenas 18 anos de idade revelado pelo Estudiantes fará parte do clube inglês – ao menos no papel – a partir do início de julho deste ano. Mas antes de tudo, fica o questionamento sobre o que motivou o Manchester City a adquiri-lo no clube pincharrata.

A imprevisibilidade nostálgica de uma canhota portenha

“Nos menores frascos estão os melhores perfumes e os piores venenos”, já diria o velho ditado popular. Carregando tal frase para o universo do futebol, não há nada melhor para descrever um jogador de apenas 1,67m de altura e detentor de um tremendo talento com a bola no pé. Ao mesmo tempo em que encanta aqueles que representa vestindo a camisa, traz desconforto para quem está no lado oposto.

O jovem nascido na cidade de Florencio Varela carrega consigo a caraterística de uma ‘entidade’ tão estereotipada quanto marcante na cultura futebolística: o atacante argentino canhoto e habilidoso. Logo de cara, o que atrai os olhares para o jogo de Darío Sarmiento é a capacidade técnica individual em conduções e dribles. Recebendo em campo aberto desde a intermediária ou em espaços curtos próximo aos limites do gramado no último terço, demonstra recursos de alto nível para superar a marcação rival. E tal ferramenta é empregada com bastante objetividade, mirando a chegada na grande área para criar condições de finalização. Com centro de gravidade baixo e boa mudança de direção, faz essa tarefa parecer simples.

No mapa de ações de Sarmiento no último terço do campo, nota-se a propensão à conduções na direção da grande área, em especial partindo do lado direito (via Wyscout)

Envolvido desde 2019 nos compromissos da equipe principal do Estudiantes, suas participações mais recorrentes foram atuando pelo lado direito do setor ofensivo. Desta forma, costuma receber aberto próximo à lateral e carregar a posse e a construção do jogo para o corredor central, atuando como um ponta de pé trocado. E observando tal fator, faz sentido a busca do City por um atleta com este atributo, visto que um dos principais conceitos estabelecidos no Jogo de Posição implementado por Pep Guardiola na equipe é o uso de extremas deste perfil – mas, claro, no caso de Sarmiento, com muito a ser desenvolvido ainda para ser colocado como postulante a uma vaga no elenco.

Interessante observar também, nas suas atuações pelo Estudiantes, a tendência a procurar os espaços vazios, sobretudo quando o jogo está no lado oposto ao seu. Em momentos onde a bola circula pelo lado direito, Sarmiento se movimenta para o corredor central gerando opção de passe para a equipe fugir da pressão, ao mesmo tempo em que abre o corredor para a participação do lateral em profundidade.

Com o jogo concentrado no lado direito, Sarmiento busca ocupa espaços pelo centro buscando aproximação da bola

Sem a bola, Sarmiento se mostra um jogador bastante dedicado na recuperação, especialmente na pressão pós-perda. Quando é desarmado ou um passe na sua direção é interceptado pelo adversário, mostra rapidez para exercer este movimento de transição defensiva, tentando evitar a progressão dos rivais e contribuindo proativamente para que o time se reorganize da melhor maneira possível. Em situações onde sua recomposição é exigida, ainda demonstra certa lentidão para fechar espaços em campo mais baixo e não possui uma leitura tão apurada para definir seus encaixes, porém, é algo que ainda pode ser plenamente trabalhado.

Em lance contra o Central Córdoba, Sarmiento perde a bola logo após receber o passe, mas sai na caça do adversário para tentar a recuperação da posse

Quando falamos de talento puro e recurso individual, Sarmiento é, sem sombra de dúvidas, um dos jogadores mais atrativos e promissores de sua geração ao menos falando de Argentina. A ida para o Manchester City é o sonho para qualquer garoto de sua idade, mas a perspectiva por recorrentes empréstimos aos times secundários do City Group – em especial o Girona – deixa uma pequena interrogação sobre o qual efeito isto terá em seu ainda corrente processo formativo.

O fato é que o pibe tem, além de capacidade, as bênçãos de lendas do futebol argentino e do próprio Estudiantes, como Alejandro Sabella. Em história contada pelo atleta, o falecido ex-treinador da Seleção e campeão da Libertadores com o clube em 2009 se ajoelhou ao conhecê-lo na reinauguração do Estádio UNO Jorge Luís Hirschi, em 2019, recebendo ainda o apelido de Aleluya por ele, devido a suas virtudes extraclasse.

As expectativas estão criadas para mais um argentino de zurda endiabrada pintar no futuro. Inventividade, fantasia e gambetas certamente não faltarão para Sarmiento.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Dimitri Barcellos

Últimas Postagens

Atlético-MG vive seu melhor momento na temporada
Gabriel de Assis

Atlético-MG vive seu melhor momento na temporada

0 Comentários
A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol
Jonatan Cavalcante

A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol

0 Comentários
Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI
Footure

Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI

0 Comentários
Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada
Caio Nascimento

Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada

0 Comentários
Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos
Caio Bitencourt

Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos

0 Comentários
O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?
Bruna Mendes

O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?

0 Comentários
O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?
Gabriel de Assis

O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?

0 Comentários
Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?
Jonatan Cavalcante

Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?

0 Comentários
God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22
Gabriel Corrêa

God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22

0 Comentários
Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado
Gabriel de Assis

Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2

0 Comentários
A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?
Caio Bitencourt

A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1

0 Comentários
O complicado início de Diego Aguirre no Internacional
Gabriel de Assis

O complicado início de Diego Aguirre no Internacional

0 Comentários
Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid
Bruna Mendes

Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid

0 Comentários