Guia da Euro Sub-21

Nesta quarta-feira, 24 de março, começa a fase de grupos da Euro Sub-21, que será sediada em dois países: Hungria e Eslovênia. Nesse guia você encontrará o retrospecto, destaques e surpresas das 16 seleções.

Começa nessa quarta-feira, dia 24 de março, a fase de grupos da Eurocopa Sub-21, que será sediada em dois países: Hungria e Eslovênia. Após vários torneios internacionais de base serem cancelados por conta do alastramento da pandemia, a Uefa optou por manter a realização da categoria sub-21.

O torneio é dividido em quatro grupos (A, B, C e D) de quatro seleções, totalizando dezesseis equipes. Avançam para as quartas-de-final os líderes e vice-líderes de cada grupo, cujas datas serão separadas. A fase de grupos vai dos dias 24 a 31 de março, enquanto os playoffs acontecem entre 31 de maio até 6 de junho.

Quatro estádios em quatro cidades diferentes da Hungria e Eslovênia receberão os concorrentes ao troféu europeu. Na Hungria teremos o Bozsik Stadion (Budapeste), Gyirmóti Stadion (Györ), Sóstói Stadion (Székesfehévár) e Haladás Stadion (Szombathely). Na Eslovênia teremos o Stadion Celje (Celje), Stadion Stozice (Ljubljana), Stadion Bonifika (Koper) e Stadion Ljudski VRT (Maribor).

Abaixo você vai conhecer todas as equipes classificadas, seus treinadores, os destaques, as surpresas e o retrospecto de cada uma na competição.

Grupo A

  • Alemanha

– Retrospecto: duas vezes campeã (2009 e 2017), duas vezes vice (1982 e 2019) e cinco vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: A equipe comandada por Stefan Kuntz terminou em primeiro lugar no Grupo 9 com 18 pontos. Aliás, o comandante alemão está a frente da seleção sub-21 desde 2016 e pode ser considerado um dos destaques do time. Embora não seja a melhor geração, a Alemanha ainda pode ser competitiva, pois conta com nomes do calibre de Arne Maier, Mateo Klimowicz (filho de Diego Klimowicz, que jogou pela Argentina), Jonathan Burkardt, Lucas Nmecha (que se encontrou no Anderlecht) e Mergim Berisha (referência no RB Salzburg). Klimowicz e Berisha são jogadores distintos, mas que podem dar uma parceria muito boa como “o arco e a flecha”.

– Surpresa: Youssoufa Moukoko, 16 anos, teria idade para jogar duas categorias abaixo da qual fora convocado. O centroavante do Dortmund é um dos principais nomes da geração 2004, que você já conheceu aqui.

  • Hungria

– Retrospecto: uma vez entre as quatro melhores.

– Destaques: Gosta de Premier League? Então o nome de Zóltan Gera, que defendeu West Brom e Fulham, não vai te soar estranho. Pois bem, o controverso ex-meia húngaro é o atual treinador da seleção, que se classificou para a fase de grupos por ser sede do torneio ao lado da Eslovênia. Gera assumiu o comando em 2019 e, apesar de ter uma geração que fez bonito na Euro Sub-17 em 2019 – e que competiu bem no Mundial Sub-17 do mesmo ano -, pouco ousou na convocação. Laszlo Deutsch e Tamas Kiss, da Puskas Akádemia; Norbet Szendrei, do lendário Honvéd; Szabolcs Mezei e Pal Dardai, cria do Hertha Berlin, são nomes conhecidos no país.

– Surpresa: Mihály Kata, 18 anos, esteve presente no Mundial Sub-17 de 2019 aqui no Brasil e deixou uma bela impressão. Atualmente, o médio é titular absoluto do MK Budapest, uma das equipes mais populares do país anfitrião, além de ser figurinha carimbada em convocações de base. Kata pode ser tanto um volante mais defensivo ou um segundo homem de meio-campo, pois tem bom passe e boa recuperação de posse.

  • Holanda

– Retrospecto: duas vezes campeã (2006 e 2007) e cinco vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: Erwin Van de Looi convocou o que havia de melhor dentre os disponíveis para a Euro Sub-21 após terminar em primeiro no Grupo 7, empatado em 27 pontos com Portugal. O principal talento da equipe na fase de classificação, Ryan Gravenberch, não fora convocado por ser “material de seleção principal” após se tornar uma peça-chave no Ajax, que disputa várias frentes na atual temporada. Aliás, o Ajax foi a equipe que mais cedeu jogadores (quatro) e a que mais formou jogadores na lista (dez). Os principais destaques são Mitchel Bakker (PSG), Jordan Teze (PSV), Teun Koopmeiners e Myron Boadu (AZ), Brian Brobbey (Ajax), Cody Gakpo (PSV) e Justin Kluivert (Leipzig). A dupla do AZ, Koopmeiners e Boadu, chega em ótimo momento de recuperação na temporada e pode fazer a diferença em jogos grandes. Olho nos holandeses.

– Surpresa: Abdou Harroui, 23 anos, é um dos poucos nomes dessa seleção que não tem nenhuma ligação com os três grandes do país e mesmo assim é uma peça importante. Titular absoluto do Sparta Rotterdam, Harroui é um dos melhores dribladores da Eredivisie, com 55% de eficácia nesse fundamento.

Abdou Harroui é um dos jogadores mais “velhos” do torneio com 23 anos. Entretanto, o extrema do Sparta é uma das maiores ameaças no 1v1. Foto: Reprodução.
  • Romênia

– Retrospecto: uma vez entre as quatro melhores.

– Destaques: Nostálgico? Então se prepare, pois o treinador da seleção sub-21 romena é ex-atacante Adrian Mutu, que passou por Chelsea e Juventus no final dos anos 1990 e começo dos anos 2000. O futebol local passa por uma reciclagem muito forte, algo que começou a ser visível na belíssima campanha de quarto lugar na Euro Sub-21 de 2019. Na fase de classificação, a Romênia terminou em segundo no Grupo 8 com 20 pontos, sendo seis a menos que a líder Dinamarca. Mutu convocou jogadores com rodagem na primeira divisão romena para o torneio que acontecerá na casa de sua maior rival, a Hungria. Nomes como o de Andrei Vlad (FCSB), Radu Dragusin (esse, no caso, já está na Juventus), Andrei Ciobanu (Vittorul), Catalin Itu (Cluj), Olimpiu Morutan (FCSB), Razvan Oaida (FCSB) e George Ganea (Vittorul) são esperanças de um jogo envolvente e veloz.

– Surpresa: Octavian Popescu, 18 anos, é um dos mais jovens do elenco, porém, é um dos nomes mais quentes da nova geração romena. Você pode ler o relatório mais completo sobre ele e sobre a geração aqui.

Grupo B

  • República Checa

– Retrospecto: uma vez campeã (2002), uma vez vice (2000) e três vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: Karel Krejčí é um dos treinadores que está há mais tempo dirigindo uma equipe da Euro Sub-21. Desde 2018 no cargo, o professor tcheco levou os Leões a liderança do Grupo 4 com 21 pontos, sendo um a mais que a poderosa Croácia. Sem poder contar com Adam Hlozek, uma das maiores promessas do futebol europeu e que já é material para a seleção principal, Krejčí chamou nomes importantes como Libor Holík (que fora o principal jogador da República Tcheca na Euro Sub-19 de 2017), Michal Kohut e Michal Sadílek (pertence ao PSV, mas atualmente está emprestado ao Slovan Liberec).

– Surpresa: Martin Vitík, 18 anos, virou titular nos últimos oito jogos pelo Sparta Praga. O defensor subira aos profissionais na reta final da temporada 2020/21, mas em nenhum momento foi utilizado. Vitík é alto (1,92m), bom na saída de bola e ágil na marcação.

  • Itália

– Retrospecto: cinco vezes campeã (1992, 1994, 1996, 2000 e 2004), duas vezes vice (1986 e 2013) e doze vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: Paolo Nicolato, atualmente treinador da Itália Sub-21, está na federação desde 2016, quando fora apontado treinador da categoria sub-18. Na fase de classificação, La Azzurra terminou em primeiro do Grupo 1 com 25 pontos, sendo seis de vantagem para a Irlanda. Aliás, fora Nicolato o responsável por levar a Itália até a semifinal do Mundial Sub-20, na Polônia, em 2019, quando perdera por 1×0 para a futura campeã Ucrânia. Muitos dos jogadores que estiveram nesse Mundial estão no elenco para a disputa da Euro Sub-21, como Alessandro Plizzari, Raoul Bellanova, Matteo Gabbia, Luca Pellegrini, Davide Frattesi e Gianluca Scamacca, que eram titulares incontestáveis. Além da intimidade com os atletas, Nicolato ainda dispõe do excelente meia-central Giulio Maggiore, 22 anos, e do famoso Sandro Tonali, que ainda não explodiu no Milan. É prudente ficar de olho nos italianos.

– Surpresa: Davide Frattesi, 21 anos, foi o principal jogador da Azzurra no Mundial Sub-20 em 2019, quando demonstrou ser um meio-campista completo ao imprimir muito dinamismo com e sem a bola. Com bons passes e capacidade de finalização chegando de trás, Frattesi é jogador do Sassuolo, porém, atualmente veste as cores como titular absoluto do Monza, que faz grande campanha na segunda divisão italiana.

Davide Frattesi é figurinha carimbada nas seleções de base, mas ele também teve uma passagem por empréstimo no Empoli, onde começara a entender o futebol profissional antes de ser repassado ao Monza. Foto: Reprodução.
  • Eslovênia

– Retrospecto: debutante na fase de grupos.

– Destaques: Assim como a Hungria, essa é mais uma equipe que se classificou para a fase de grupos por ser hospedeira da competição. Milenko Acimovic, lenda do Estrela Vermelha e Áustria Viena – e com breve passagem pelo Tottenham -, é o treinador da seleção sub-21 desde 2020 e convocara a melhor seleção possível. Pode-se destacar nessa equipe, principalmente, o meio-campista Adam Gnezda Cerin, 21 anos, que está emprestado ao Rijeka pelo Nurnberg. Zan-Luk Leban, 18 anos, é mais uma grande promessa no gol esloveno, sendo o goleiro reserva do Everton. Provavelmente haverá uma disputa acirrada Igor Vekic, 22 anos, que é titular no Bravo-ESL e Martin Turk, 17 anos, do Parma. Aljosa Matko, 20 anos, atua como extremo ou segundo atacante e deve ser titular no ataque de Acimovic.

– Surpresa: Nik Prelec, 19 anos, foi o artilheiro da Eslovênia nas categorias Sub-17 e Sub-19 e é o máximo goleador da Sampdoria no Campionato Primavera. Centroavante esloveno de 1,86m sabe muito bem utilizar sua altura, sendo uma ameaça no jogo aéreo. Além disso, Prelec é inteligente no posicionamento, criando espaços para quem chega de trás.

  • Espanha

– Retrospecto: cinco vezes campeã (1986, 1998, 2011, 2013 e 2019), três vezes vice (1984, 1996 e 2017) e dez vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: Luís de la Fuente, treinador da Rojita, é um exemplo de longevidade. Desde 2013 na Espanha, tendo iniciado como técnico da seleção sub-18, De la Fuente vai defender o título de 2019 conquistado na Itália. A Espanha terminou em primeiro lugar do Grupo 6 com 28 pontos, mas não por conta do saldo de gols não terminou com a melhor campanha geral. A maior vencedora da competição está recheada de “jogadores alternativos”, como Pipa (Huddersfield), Fran Beltrán (Celta), Manu García (Sporting Gijón), Jon Moncayola (Osasuna) e Javi Puado (Espanyol), porém, também conta com a experiência e liderança do capitão Marc Cucurella (Getafe, mas formado no Barcelona) e Hugo Guillamón (Valencia) na defesa. Há os nomes de Brahím Díaz (Milan), Riqui Puig (Barcelona, que precisa dar “o salto”), Ander Barrenetxea e Martín Zubimendi (Real Sociedad). É uma seleção altamente técnica, que valoriza a posse de bola, mas é pouco agressiva no terço final. Ainda assim, é uma das favoritas.

– Surpresa: Yeremi Pino, 18 anos, é um extrema que pode cair pelos dois lados, mas com desempenho ligeiramente melhor pela esquerda. Pino foi um dos grandes motivos pelo qual Takefusa Kubo não vingou no Submarino Amarelo, sendo posteriormente devolvido ao Real Madrid e emprestado ao Getafe. Rápido, fisicamente forte (apesar de não ser tão alto) e com bom drible, Pino ainda não conquistou a titularidade a vera.

Grupo C

  • Dinamarca

– Retrospecto: duas vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: Comandada pelo cultuado Albert Capellas, que passou pela base do Barcelona, Vitesse, Brondby e Borussia Dortmund, o “pupilo de Johan Cruyff” é referência no “Jogo de Posição” e no desenvolvimento de jogadores. Sem sustos e com um futebol interessante, a Dinamarca terminou em primeiro no Grupo 8 com 26 pontos. Apesar de ter apenas Jacob Brunn Larsen (ex-BVB e atualmente no Anderlecht) como nome famoso, Capellas tem a disposição uma geração muito promissora de atletas locais que já despertam o interesse de equipes maiores no futebol europeu. O principal nome é o de Jesper Lindstrom, que você já leu por aqui, mas Peter Jensen (goleiro do Nordsjaelland), Victor Jensen (emprestado pelo Ajax ao Nordsjaelland), Anders Dreyer (estrela do Midtjylland) e Mohammed Daramy (FC Copenhagen) são outros que merecem destaque. É uma seleção ofensiva, que sai jogando sempre da defesa e constrói seu jogo com paciência.

– Surpresa: Wahid Faghir, 17 anos, veste a camisa vermelha do Vejle Boldklub, da elite dinamarquesa. Se você é entusiasta em procurar vídeos no Youtube, você encontrará vários comparando a jovem estrela da Dinamarca com um rival, o sueco Zlatan Ibrahimovic. A priori, claro, as semelhanças físicas fazem com que a comparação aconteça, haja vista que Faghir é um centroavante de 1,85m de altura, sendo ligeiramente mais baixo que o Ibra, mas com estrutura corporal parecida com a da estrela mundial no começo da carreira. Entretanto, essas comparações devem parar exatamente aí para o bem do garoto. O adolescente está entre os 10 jogadores nascidos em 2003 com maior experiência a nível profissional no mundo, se juntando a nomes como Florian Wirtz, Jude Bellingham, Isak Johannesson e Jamal Musiala. Faghir tem 22 jogos na elite e anotara cinco gols. Obviamente, ele chama a atenção pelos, mas a qualidade técnica e capacidade associativa, sendo um centroavante que sai da área e participa da construção do jogo, são outros predicados perceptíveis. Além disso, o dinamarquês também pode atuar como extrema-esquerda, apesar de ser destro.

Levando em consideração a hierarquia do futebol, talvez Faghir não ganhe tantos minutos como titular da Dinamarca. No entanto, a expectativa criada sobre o adolescente possa mudar o pensamento de Capellas. Foto: Reprodução.
  • França

– Retrospecto: uma vez campeã (1988), uma vez vice (2002) e seis vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: A seleção convocada por Sylvain Ripoll poderia ser facilmente uma seleção principal da França devido ao calibre dos nomes. A equipe que terminou em primeiro no Grupo 2 com 27 pontos levará a Hungria/Eslovênia nomes como Jules Koundé (Sevilla), Wesley Fofana (Leicester), Pierre Kalulu (Milan), Eduardo Camavinga (Rennes), Odsonne Edouard (Celtic), Jonathan Ikoné (Lille) e Amine Gouiri (Nice). Além desses nomes, deverá acontecer uma disputa interessante no gol entre o experimentado Alban Lafont e o prodígio goleiro do Leeds Ilan Meslier. Matteo Guendouzi deve vestir a braçadeira de capitão e provavelmente atuará ao lado do destaque do Monaco, Aurelien Tchouameni. Com uma seleção bastante equilibrada em todos os setores, espera-se muito dos comandados de Ripoll.

– Surpresa: Benoit Badiashile, 19 anos, é um defensor extremamente promissor do Monaco. Podendo atuar tanto em linha de quatro como em linha de três, o francês pode não ter uma surpresa tão grande para os fãs da Ligue 1, que conhecem a dominância física e mental do zagueiro monegasco. Badiashile tem 1,94m de altura, porém, a agilidade do francês e a naturalidade ao trabalhar a bola com o pé esquerdo mostram que ele é um pacote completo. Além disso, Badiashile se destacou muito em 2020 por ser o quarto jogador sub-21 que mais venceu duelos nas partidas.

  • Islândia

– Retrospecto: nunca passou da fase de grupos.

– Destaques: A seleção de David Snorri Jonasson terminou em segundo lugar do Grupo 1 com 21 pontos, sendo quatro a menos que a líder Itália. Patrik Gunnarson, goleiro emprestado pelo Brentford ao Silkeborg, é um dos destaques dessa geração. O meio-campista Andri Fannar Baldursson, 19 anos, faz parte da equipe principal do Bologna, da seleção islandesa que disputou a Liga das Nações e terá o papel de organizar o time ao lado da maior estrela do elenco, Isak Johannesson, que você já leu aqui. Por se tratar de uma equipe forte fisicamente, pode-se esperar uma abordagem de contra-ataque em alta velocidade, explorando os passes de Baldursson para Johannesson.

– Surpresa: Sveinn Aron Gudjohnsen, 22 anos, é filho de Eidur Gudjohnsen, ex-jogador de Chelsea e Barcelona, e referência no setor ofensivo da Islândia. Ao contrário do pai, que era um atacante com mais mobilidade e mais técnico, o jovem Gudjohnsen é um centroavante clássico, de imposição física, facilidade no jogo aéreo (1,89m) e com domínio na pequena área. Ele pertence ao Spezia, mas está emprestado ao Odense-DIN, onde tem dois gols em 11 jogos.

  • Rússia

– Retrospecto: duas vezes campeã (1980 e 1990 como União Soviética) e três vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: Mikhail Galaktionov é um dos nomes mais interessantes no que se refere ao comando técnico nessa Euro Sub-21. O russo é o técnico mais jovem da competição, tendo apenas 36 anos. Além disso, ele também chama a atenção por ter começado a trabalhar como treinador aos 22 anos na academia do Dínamo de Moscou. Aos 26, Galaktionov chegou a equipe sub-16 da seleção russa, tendo passado posteriormente pela sub-17 (chegou a semifinal da Euro da categoria em 2015), sub-18 e sub-19. O treinador chegou a assumir um cargo na comissão fixa do Akhmat Grozny entre 2017 e 2018, mas logo retornou à seleção para assumir o sub-20 e, claro, a sub-21. Adepto de um futebol ofensivo, vertical e que explora muito bem os espaços, Galaktionov convocou uma Rússia bastante promissora e que pode chegar longe na competição. Nomes como Igor Diveev (zagueiro do CSKA), Ivan Oblyakov (meia do CSKA), Magomed Suleymanov (meia ou extremo do Krasnodar), Deniil Lesovoy (Dínamo de Moscou) e Denis Makarov (extremo do Rubin Kazan). Fedor Chalov (CSKA) e Vyascheslav Grulev (Dínamo) são referências ofensivas, podendo brigar por uma vaga no 4-2-3-1 ou até formar uma dupla no 4-4-2. Entretanto, fiquem atentos a Denis Makarov, um extremo clássico russo, que consegue aliar força física e finalização de longa distância.

– Surpresa: Arsen Zakharyan, 17 anos, tem apenas seis partidas como profissional no Dínamo de Moscou, sendo as quatro últimas como titular (foram três vitórias e uma derrota no Superclássico contra o Spartak de Moscou). Originalmente, Zakharyan era meia central nas canteiras dos Policiais, mas na equipe de cima, com Sandro Schwarz, ele tem atuado como extremo-direito, porém, sempre cortando para dentro. No clássico contra o Spartak, a joia russa atuou como meia-ofensivo, onde se sente melhor, e foi bem. Zakharyan tem excelente domínio de bola, visão de jogo, bons dribles e explosão para acelerar, porém, ainda peca na finalização das jogadas.

Grupo D

  • Croácia

– Retrospecto: uma vez campeã (1978 como parte da Iugoslávia), uma vez vice (1990 como Iugoslávia) e quatro vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: Igor Biscan, ex-volante do Liverpool no começo dos anos 2000, é o treinador da equipe sub-21 da Croácia desde 2019. Segundo colocado no Grupo 4, com um ponto a menos que a República Tcheca, os croatas tiveram que alterar muito a lista de convocação por conta de lesões. No entanto, Biscan ainda conseguiu formar um time sólido, sobretudo na defesa com dois laterais-esquerdo como Borna Sosa (Stuttgart) e Domagoj Bradaric (Lille), sendo esse um jogador mais versátil, podendo aparecer até como meia. Falando em meio-campo, é ali que moram as grandes estrelas do elenco, que conta com os nomes de Nikola Moro (Dínamo de Moscou), Lovro Majer (Dínamo de Zagreb), Kristijan Bistrovic (Kasimpasa) e Luka Ivanusec (Dínamo de Zagreb). Sandro Kulenovic, emprestado ao Rijeka pelo Dínamo de Zagreb, é a referência no ataque. Ele é alto, forte e excelente no jogo aéreo.

– Surpresa: Bartol Franjic, 21 anos, é um meia-defensivo de origem formado na prolífica base do Dínamo de Zagreb. Alto e forte na marcação, Franjic também se destaca pela versatilidade, podendo atuar como lateral-esquerdo ou até como zagueiro devido a sua altura (1,88m). O jovem croata não é tão técnico quanto os companheiros, porém, é muito voluntarioso e impositivo no jogo.

  • Inglaterra

– Retrospecto: duas vezes campeã (1982 e 1984), uma vez vice (2009) e nove vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: Aidy Boothroyd está na seleção inglesa desde 2014, alternando entre sub-19, sub-20 e sub-21. O treinador dos “Jovens Leões” foi campeão do Torneio de Toulon, em 2018, ao vencer o México por 2×1 na final. Boothroyd também fez com que a Inglaterra terminasse a fase de classificação com a melhor campanha geral, tendo terminado em primeiro do Grupo 3 com 28 pontos e 22 gols de saldo. O treinador inglês mesclou a convocação com jovens estrelas de gigantes da Premier League, como Curtis Jones (Liverpool), Callum Hudson-Odoi (Chelsea), Mason Greenwood (Man Utd) e Eddie Nketiah (Arsenal); jogadores experimentados de equipes tradicionais, como Max Aarons (Norwich), Ben Godfrey e Tom Davies (Everton) e Dwight McNeil (Burnley). Além de jogadores que estão no exterior, como Ryan Sessegnon (emprestado pelo Tottenham ao Hoffenheim) e Noni Madueke (destaque do PSV). Um time forte na fase ofensiva, mas que deixa buracos atrás. Entretanto, é uma das grandes favoritas ao título.

– Surpresa: Eberechi Eze, 22 anos, é cria do Queens Park Rangers e militou grande parte do tempo de formação como atleta na Championship. Eze é um meio-campista versátil, podendo cair pela meia-esquerda no 4-4-2 ou como meia-ofensivo no 4-2-3-1, geralmente atrás do centroavante. Na seleção sub-21, Eze já atuara no meio e na ponta-esquerda. É importante salientar que o polivalente jogador é destro, portanto, ele muitas vezes é utilizado como um oposto. Criativo, veloz e driblador, o meio-campista do Crystal Palace não possui o mesmo hype de outros jogadores de gigantes da Premier League, porém, Eze é muito competente e produtivo.

  • Portugal

– Retrospecto: duas vezes vice (1994 e 2015) e três vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: Até que ponto você acredita no trabalho de uma pessoa? A federação portuguesa é um exemplo de convicção, tendo justamente no treinador Rui Jorge a ilustração perfeita do cenário. O ex-lateral da seleção portuguesa, Porto e Sporting está no comando da equipe sub-20 desde 2010, sendo o técnico que está a mais tempo no cargo nessa categoria na Europa.  Curiosamente, Portugal, que revela grandes jogadores, não vence um título importante entre o sub-19 e sub-21 desde a Euro sub-19 em 2018 e o Mundial Sub-20 em 1991. O mais próximo de uma conquista foi em 2015, sob o comando de Rui Jorge, quando perdera a final da Euro Sub-21 para a Suécia. Todavia, vários talentos foram lapidados nessas competições, especialmente nessa década de Jorge. Para buscar o feito inédito, o comandante tem a disposição uma das melhores gerações lusas da história recente, que conta com nomes de Diogo Dalot (Milan), Thierry Corrêa (Valencia), Fábio Vieira (Porto), Florentino Luís (emprestado pelo Benfica ao Monaco), Gedson Fernandes (emprestado pelo Benfica ao Galatasaray), Pedro Gonçalves (Sporting), Vitinha (Wolves), Francisco Trincão (Barcelona), Rafael Leão (Milan) e Tiago Tomás (Sporting). O fato de estar no “Grupo da Morte” serve de combustível para uma geração de jogadores talentosos, mas que muitas vezes são questionados pela falta de competitividade.

– Surpresa: Daniel Bragança, 21 anos, ainda não é titular absoluto do Sporting, líder da Liga NOS, mas mesmo com os poucos minutos o miúdo já criara um senso de conforto no torcedor. Foram apenas 12 partidas, sendo uma como titular, após uma temporada em que fora fundamental no Sporting B, onde era o regista da equipe. Dotado de uma habilidade impressionante para driblar e passar a bola, Bragança tem como empecilho o tamanho (apenas 1,70m), que o atrapalha em alguns duelos no meio-campo. No entanto, a joia portuguesa compensa com movimentação e posicionamento. Criativo, o luso pode ser um camisa 8 ou um camisa 10.

  • Suíça

– Retrospecto: uma vez vice (2011) e duas vezes entre as quatro melhores.

– Destaques: Após histórica campanha no Grupo 2, quando fizera a mesma pontuação de 27 pontos da poderosa França, a Suíça de Mauro Lustrinelli busca chocar a Europa ao continuar quebrando barreiras após cair no grupo mais difícil do torneio. O futebol suíço ainda procura um feito grandioso para reverberar o sentido de pertencimento, algo que você pode entender melhor nessa matéria. Passa pela fase de grupos contra Croácia, Portugal e Inglaterra pode ser a façanha que eles tanto esperam. Lustrinelli tem a seu favor bons jogadores, como Jordan Lotomba (Nice), Leonidas Stergiou (St-Gallen), Jesper van der Werff (Basel), Toni Domgjoni (Zurich), Bastien Toma (Genk), Jeremy Guillemenot (St-Gallen), Dan Ndoye (Nice), Andi Zeqiri (Brighton) e Felix Mambimbi (Young Boys). O sistema defensivo é bastante sólido, mas a transição ofensiva chama a atenção até por quebrar o estereótipo do “Ferrolho Suíço”. Toma é um armador inteligente, de visão e dribles rápidos, que combinam com a velocidade de Mambimbi, Okafor e Ndoye. Além disso, a versatilidade de Zeqiri, que tanto pode ser extremo ou centroavante, faz com que o esquema mude de 4-4-2 para 4-3-3 com facilidade. Guillemenot, artilheiro do futebol local, é mais de área, porém, tem um certo talho técnico adquirido nas canteiras de La Masia, do Barcelona.

– Surpresa: Noah Okafor, 20 anos, é outra joia do RB Salzburg que desfilará seu talento na Euro Sub-21. O jovem suíço desenvolveu uma multifuncionalidade impressionante mesmo com tão pouca idade. Nos tempos de Basel, Okafor era um extrema muito agudo e veloz, geralmente caindo pelo lado direito. Na seleção, o jovem também atuou como meia-direita, um pouco mais recuado do que fazia na equipe da Basileia. Contratado em 2020 pelo Salzburg, Okafor foi parar do lado esquerdo, muitas vezes jogado como meia-esquerda no 4-4-2, sistema de jogo que encontrara várias vezes na seleção suíça. Destro, o suíço ganhou ares de goleador vindo de trás e se aproveitando dos espaços gerados por dois atacantes. Dependendo da circunstância, Noah, que mede 1,85m, também pode atuar como segundo atacante.

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