Guia do Brasileirão 2020 - Fluminense

O Campeonato Brasileiro 2020 está prestes a iniciar, por isso o Footure reuniu sua equipe e analisou as 20 equipes que disputam o torneio nesta temporada em parceria com as redes sociais do Brasileirao. Por ordem alfabética, o décimo dia do Guia tem foco no Fluminense

As finais do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro certamente deixaram uma pulga atrás da orelha do torcedor do Fluminense. Qual será o comportamento ideal do time no Campeonato Brasileiro? Ser uma equipe com mais posse, instalada no campo adversário, mas com problemas de velocidade na circulação e transição defensiva? Ou adotar uma postura mais voltada a marcação, com intensidade na abordagem, compactação, velocidade e estratégia para contra-atacar com perigo?

Certamente isso deve perdurar também na cabeça do técnico Odair Hellmann, que fez um trabalho mais voltado a segunda realidade no Internacional e foi competitivo. Ser mais protagonista do que em 2019 e 2018 é tudo o que o Fluminense precisa.

Time base do Fluminense: Muriel; Gilberto, Nino, Matheus Ferraz e Egídio; Hudson, Dodi e Yago Felipe; Nenê, Evanílson e Marcos Paulo

A FORÇA DE XERÉM E O PROTAGONISMO DE NENÊ

Saber quem será o atleta mais importante do time passa muito pela ideia que será desenvolvida por Odair na maioria dos jogos. Se o time passar mais tempo em fase ofensiva, Nenê ganha naturalmente protagonismo. Mesmo aos 39 anos de idade e problemas para manter a intensidade ao longo dos 90 minutos, é o atleta mais inventivo do elenco. Tem capacidade de articulação, último passe e finalização apurados, mas precisa jogar no terço final do campo para ser útil.

Se a proposta for jogar mais em contra-ataques, Yago Felipe mostrou que será uma peça-chave. Faz importantes compensações quando Nenê não volta pela direita e tem dinâmica para dar profundidade ao time, opções de passe, e boa técnica para acionar rapidamente os atacantes.

Evanilson (21 anos), Marcos Paulo (19 anos), Nino (23 anos), Miguel Silvera (17 anos) e Fernando Pacheco (21 anos). A conhecida fábrica de talentos do Fluminense, em Xerém, segue produzindo. Dos cinco nomes citados acima, três vieram de lá.

Evanilson deve desbancar Fred ao menos nas primeiras rodadas na luta pela vaga de centroavante. É mais rápido, intenso e possui capacidade de definição. Pode jogar também pelos lados. Marcos Paulo luta contra as oscilações, mas vem sendo titular e tem um inegável talento conduzindo a bola da esquerda para o meio, muito habilidoso. Miguel Silvera tem muita técnica e imprevisibilidade. Há um longo caminho de evolução, mas merece mais minutos. Nino é garantia de segurança na defesa e o peruano Fernando Pacheco mostrou que pode ser útil entrando na 2ª etapa.

COMO ATACA O FLUMINENSE

Quando viveu situações de maior posse de bola e incidência grande de fase ofensiva, o Fluminense tentou um jogo mais pausado e alicerçado na troca de passes curtos. Hudson se infiltra entre os zagueiros para fazer uma ‘’saída de três’’, os laterais se projetam no campo de ataque pelos flancos, Marcos Paulo entra em diagonal, fica na altura do bico da grande área, fazendo companhia a Evanílson mais adiantado, Nenê flutua para atuar entre o meio e a defesa do adversário. Yago Felipe e Dodi transitam pelo centro e encostam nos lados para triangulações já perto da área rival.

O problema vinha sendo a execução disso. O time não conseguiu ‘’automatizar’’ os movimentos com regularidade e constantemente era muito lento para construir. Por isso é mais perigoso em contra-ataques. Egídio e Gilberto se desgarram com rapidez para ser a opção de virada de jogo. Isso é bem nítido no Tricolor. Roubou a bola? Inverta rapidamente o lado da jogada e ataca os espaços com os laterais ou Marcos Paulo! Yago Felipe e Dodi são importantes neste aspecto, tanto acionando os companheiros, quanto fazendo rápidas infiltrações.

COMO DEFENDE O FLUMINENSE

O Fluminense marca com predominância no sistema zonal, onde cada atleta defende o setor de origem sem perseguições aos adversários fora daquele espaço. Em alguns pontos há até um ou outro encaixe. Os pontas, por exemplo, tem uma tendência maior de acompanhar os laterais adversários quando estes fazem movimentos para o centro do campo. Dodi e Yago Felipe se desgarram um pouco de seus posicionamentos para pressionar um volante adversário recuado ou acompanhar a infiltração na área defensiva. Mas a tendência geral é marcar a zona e não bagunçar o 4-1-4-1 em fase defensiva. Há compactação e o time ganhou intensidade para pressionar a bola.

O Campeonato Brasileiro 2020 está prestes a iniciar, por isso o Footure reuniu sua equipe e analisou as 20 equipes que disputam o torneio nesta temporada em parceria com as redes sociais do Brasileirao. Por ordem alfabética, o décimo dia do Guia tem foco no Fluminense
Yago Felipe foi uma grata surpresa do Fluminense neste início de temporada (Dados: WyScout)

O DESAFIO DE SER PROTAGONISTA COM A BOLA

Quando enfrenta adversários mais fechados, que ‘’dão’’ a bola ao Tricolor, o time se ressente de mais repertório de jogadas e movimentação coordenada perto da área. Isso faz com que a circulação da bola seja muitas vezes morosa e previsível. Acaba dependente de um bom passe de Nenê ou as vitórias pessoais de Gilberto, Marcos Paulo e Evanílson contra a defesa adversária. A transição defensiva também precisa ser mais intensa. O time das Laranjeiras oscila o comportamento na recomposição, por vezes é muito lento.


LEIA A ANÁLISE DOS OUTROS CLUBES

Athletico Paranaense; Atlético Goianiense; Atlético/MG; Bahia; Botafogo; Ceará; Corinthians; Coritiba; Flamengo; Fortaleza; Goiás; Grêmio; Internacional; Palmeiras; Red Bull Bragantino; Santos; São Paulo; Sport Recife e Vasco da Gama.

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Rodrigo Coutinho

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