Guia do Brasileirão 2020 - Sport

O Campeonato Brasileiro 2020 está prestes a iniciar, por isso o Footure reuniu sua equipe e analisou as 20 equipes que disputam o torneio nesta temporada em parceria com as redes sociais do Brasileirao. Por ordem alfabética, o décimo nono dia do Guia tem foco no Sport

Dívidas trabalhistas, passivo gigante, quedas nas receitas, fluxo de caixa comprometido, salários atrasados, jogadores pedindo rescisão contratual, categorias de base fechadas por tempo indeterminado, eliminações precoces, trocas de treinador, elenco inchado e repleto de lacunas, contratações sem aval do técnico e uma ideia de jogo em fase inicial de implantação. É dessa forma que o Sport irá iniciar o Campeonato Brasileiro Série A 2020. Uma incógnita do tamanho da Ilha do Retiro.

A contratação de Daniel Paulista para o comando técnico do Sport, teve como mote central externalizado a falta de desempenho e resultados do antecessor Guto Ferreira no início da temporada. Mas foi apenas a ponta do iceberg. Além da figura que acarinha o âmago do torcedor rubro-negro e preenche o vazio da representatividade. A chegada de Daniel Paulista tem outro importante pilar: resgatar o DNA vencedor do Sport.

Mas a busca por estabelecer um processo que tem como objetivo tornar a equipe competitiva e, consequentemente, gerar uma identificação com o torcedor não ocorreu da maneira imaginada. Em meio a um cenário tão caótico e adverso, na volta do futebol, Daniel Paulista não conseguiu planificar os 11 jogadores que melhor interpretam a forma que pretende jogar.

Sport Formação Base Brasileirão
Formação-base do Sport: Maílson; Patrick, Iago Maidana, Adryelson e Sander; João Igor e Willian Farias; Leonardo Barcia, J. Gómez (Mugni) e Marquinhos; Hernane (Ronaldo)

O afastamento de alguns jogadores importantes como Rithely e a ausência de atletas com a mesma característica e rodagem, são alguns dos problemas que o técnico Leonino tem que administrar. Além disso, as lesões, déficit físico e o baixo rendimento são pontos que têm minado o trabalho de Daniel.

A VELOCIDADE DE MARQUINHOS E A BASE COMO SALVAÇÃO

Em clubes que não existem planejamento estratégico a utilização das categorias de base se dá principalmente em momentos de dificuldades financeiras. E o Sport é um grande exemplo. Em temporadas anteriores, a utilização dos jogadores formados no clube era mínima. Afinal, o foco estava em desembolsar vultuosas cifras para contratar jogadores como André, Diego Souza, Lenis, Agenor, entre outros.

Asfixiado financeiramente, restou aos gestores recorrer a empréstimos e olhar para as categorias de base. Em um elenco de 31 jogadores — que ainda não está fechado —, nove atletas vieram das divisões de base. No gol o Sport conta com Maílson e Túlio, na lateral direita Elias e Rafael, na zaga Adryelson — titular absoluto — e Chico, no lado esquerdo Luciano Juba surge com muito potencial e no meio Ronaldo e Alê Santos.

Alê Santos atuou em todas as funções do meio (1º volante, 2º volante, 3º homem de meio e meia-atacante). O que desenvolveu a capacidade de ser um meio-campista completo. Consegue auxiliar na construção em zonas baixas, participa da criação e consegue chegar à área para finalizar as jogadas com diagonais bem feitas. Mas a pouca minutagem e rodagem são fatores que pesam na escolha para os 11 de Daniel Paulista.

E dos jogadores contratados por empréstimo, Marquinhos tem sido o grande destaque. O atacante participou diretamente de 9 gols, sendo 5 assistências. O camisa 33 se destaca pela velocidade, condução, drible e finalização. Características chave para uma equipe que irá jogar em transição.

COMO ATACA O SPORT?

Em organização ofensiva, o Sport tanto pode sair jogando curto, quanto optar por lançamentos para disputar a 1º e 2º bola. Ao optar por sair trocando passes de pé em pé, a equipe se estrutura com os 4 jogadores de defesa (zagueiros e laterais) mais os dois volantes se alternando entre dá apoio no setor da bola e costas dos atacantes adversários.

Willian Farias é o principal facilitador da saída de bola. Mas agora terá o auxílio de João Igor ou Betinho nesse papel. O que torna a equipe menos previsível e dificulta a marcação adversária. Outro mecanismo interessante, é o posicionamento dos volantes no espaço deixado pelos laterais que avançam no campo ofensivo. Assim, permitindo que os jogadores com mais capacidade de passe ganhe mais tempo e espaço para passar a bola.

Willian Farias é uma peça-chave no meio-campo do Leão (Dados: WyScout)

Quando a bola chega no lado de campo, os volantes ou laterais buscam um passe longo no espaço vazio. E isso acontece, pois o jogador que está fazendo a amplitude (posicionado aberto) atrai a marcação do lateral adversário ao fingir que irá dar apoio para que o meia-atacante faça a diagonal e ataque o espaço gerado.

Já em uma saída mais longa, o Sport busca vencer os duelos de 1º e 2º bola para acelerar e definir a jogada através de um ataque rápido O lançamento longo geralmente ocorre por meio do goleiro Maílson, do zagueiro Iago Maidana ou com menos frequência dos volantes.

Ao se estabelecer no campo do adversário, seja por uma saída de bola curta ou longa, a ideia de Daniel Paulista é ter os dois volantes se posicionando por trás da jogada para ser uma opção de passe de retorno ou estarem preparados para o pós-perda. Se a jogada acontece pelo lado esquerdo, participam das ações ofensivas 5 jogadores mais o lateral do setor da bola. Se for no lado direito, são 4 jogadores mais o lateral do setor da bola.

O Sport utiliza da amplitude total com em momentos de criação com Marquinhos e Patric bem abertos. Já no momento de finalização a amplitude passa a ser funcional. Uma vez que, o jogador tem que se aproximar da área para finalizar. E no momento de finalização, Daniel busca sempre povoar a área com ao menos 3 jogadores.

COMO DEFENDE O SPORT?

Antes que os jogadores incumbidos de defender a própria meta entrem em ação ao perder a bola, Daniel Paulista, exige que os jogadores que estão próximos já busquem pressionar para recuperá-la próxima ao gol e evitar correr para trás. 

Mas se o adversário escapar da zona de pressão, Willian Farias é uma “peça” importante na contenção, ao avançar e buscar temporizar a jogada enquanto os demais correm para trás com o intuito de se reorganizar. E quando há a reestruturação da linha de 4 ou formação de coberturas próximas, o jogador que temporizou passa a ser agressivo e tenta o desarme.

Em relação ao tipo de marcação, a ideia é de utilizar os encaixes setorizados. Ou seja, os marcadores obedecem uma zona de atuação mas buscam encaixes nos atletas adversários sempre em função de onde está a bola. Dessa forma, o Sport busca cortar linhas de passe ao estar sempre “encaixado” com o oponente.

TROCANDO O PNEU COM O CARRO EM MOVIMENTO

Daniel Paulista está diante do seu maior desafio na carreira. Com um elenco repleto de lacunas, recurso financeiro escasso, viagens longas, calendário apertado e pouco tempo para treinar. A necessidade de otimização de processos de treinos para que os jogadores consigam assimilar e, aprimorar os conceitos trabalhado na fase de organização e transição ofensiva é imperativa.

Outro ponto de extrema relevância e que poderá angariar pontos importantes na luta contra o rebaixamento é a bola parada ofensiva. A equipe sofre com a ausência de um cobrador de faltas e escanteios para potencializar o jogo aéreo de Adryelson.


LEIA A ANÁLISE DOS OUTROS CLUBES

Athletico Paranaense; Atlético Goianiense; Atlético/MG; Bahia; Botafogo; Ceará; Corinthians; Coritiba; Flamengo, Fluminense; Fortaleza; Goiás; Grêmio; Internacional; Palmeiras; Red Bull Bragantino; São Paulo; Santos e Vasco da Gama.

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Jonatan Cavalcante

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