Guia do Brasileirão 2020 – Goiás

O Campeonato Brasileiro 2020 está prestes a iniciar, por isso o Footure reuniu sua equipe e analisou as 20 equipes que disputam o torneio nesta temporada em parceria com as redes sociais do Brasileirao. Por ordem alfabética, o décimo segundo do Guia tem foco no Goiás

Mesmo terminando na metade de cima da tabela do Brasileirão de 2019, o Goiás teve diversas mudanças para 2020. O comando técnico, entretanto, segue nas mãos de Ney Franco. O treinador já terá um ano de equipe quando o campeonato nacional iniciar — mas, por conta de mudanças no elenco, ainda não conseguiu solidificar seu modelo de jogo na temporada atual. Com a mescla entre contratações e velhos conhecidos, a busca por um padrão tem marcado o ano do Verdão.

No âmbito estadual, a equipe tem bons resultados, mas foi derrotada em seu maior teste, contra o Atlético-GO. A eliminação na primeira fase da Sul-Americana indica a necessidade de maior competitividade em jogos decisivos. Tal fator apareceu em duelos da Copa do Brasil, como na vitória por 1 a 0 sobre o Vasco. Garantir a regularidade nesse sentido pode ser determinante ao time no Brasileirão de 2020.

A equipe base do Goiás: Tadeu; Pintado, Fábio Sanches, Rafael Vaz e Jefferson; Sandro e Gilberto Júnior (Ratinho); Keko, Daniel Bessa e Victor Andrade; Rafael Moura.

DE VOLTA AO BRASIL

Dentre as contratações do Verdão para a temporada, seis vieram de fora do país: quatro do continente americano e duas da Europa. Os dois jogadores que atravessaram o Atlântico saíram da Itália, e, antes, já chamaram a atenção em solo brasileiro. O volante Sandro, que estava na Udinese, destacou-se pelo Inter antes de se transferir, em 2010, para o Tottenham. Daniel Bessa, atual camisa 10 do Goiás e referência técnica da equipe, despertou o interesse da Internazionale ainda no sub-15, quando jogava no Athletico, e acabou passando uma década inteira no Velho Continente.

Atuando como meia-atacante, Bessa apresenta criatividade para encontrar passes seja para o centroavante ou para a entrada dos pontas na área. Em 2020, ele marcou três gols em nove jogos, mas a capacidade de produção no campo de ataque não é o seu único mérito. O 10 esmeraldino atuou na Europa, em diversos momentos, como volante, podendo agregar à construção dos ataques do Verdão juntando-se à primeira linha de meio-campistas.

As outras contratações, porém, apresentam um perfil diferente. Excetuando-se Keko Villalva, que tem 28 anos, o padrão é de jovens com potencial de venda. O lateral Juan Pintado, de 22 anos, o meia Ignacio Jara e o ponta Kevin Quevedo, ambos de 23 anos, têm ganhado tempo de jogo. O mesmo é esperado para promessas formadas no clube, como Filipe Trindade (21), que apresenta valências comparáveis às de Léo Sena e pode emergir durante o campeonato.

COMO ATACA O GOIÁS

Partindo de um 4-2-3-1, a equipe conta com a inventividade de seus pontas e o apoio dos laterais para produzir no ataque. Para liberar a subida dos defensores, Gilberto Júnior se junta à linha de defesa na saída de bola, aparecendo entre (ou ao lado de) Sanches e Vaz. Apesar da camisa 5, Sandro é o volante que ganha maior liberdade para participar das fases finais do ataque, podendo, inclusive, alinhar-se com o meia quando o Goiás opta por trabalhar mais a bola antes de buscar a finalização. Caso opte pela escalação de Ratinho na vaga de Gilberto, Ney Franco ganha na circulação de bola, mas perde na defesa.

Tendo a figura de Rafael Moura no ataque, a equipe também busca bolas longas, para ataques mais diretos, com os pontas atacando o espaço às costas do 9 para aproveitarem a “casquinha”. A tendência é que essa jogada seja ainda mais comum neste Brasileirão em relação ao último, visto que Léo Sena, principal construtor de um jogo mais apoiado do time, foi vendido ao Atlético-MG. He-Man também é uma das razões pelas quais o Goiás conta tanto com o apoio dos laterais, Pintado e Jefferson (ou Caju), visto que sua presença na área exige atenção redobrada às defesas em cruzamentos.

Daniel Bessa é a principal arma ofensiva do Goiás (Dados: WyScout)

Independentemente do lado em que Victor Andrade e Keko Villalva estiverem, o Goiás tem, com eles, bons recursos para ser perigoso em contra-ataques. O segundo tem qualidade para trabalhar em espaços curtos, aparecendo, muitas vezes, por dentro, nas costas dos volantes, tendo o drible como sua principal característica. Para que eles sejam ativados em contextos favoráveis, é importante a figura de Rafael Vaz, defensor com boa capacidade de passe com ambas as pernas, seja ele longo ou curto.

COMO DEFENDE O GOIÁS

Tendo Sandro e Gilberto Júnior à frente da defesa, o Goiás perde na construção, mas, certamente, ganha quando o assunto é proteger a sua área. Os dois jogadores buscam a imposição física, e serão os pilares da segunda linha de marcação, tentando reduzir o espaço de ação dos meio-campistas rivais. Para isso, é chave a compactação entre os setores, algo bastante presente em trabalhos de Ney Franco.

Quando o adversário tenta sair curto, o Goiás pode pressionar alto, principalmente com os seus pontas. Nesses contextos, e em situações logo após a perda da bola no ataque, Sandro é quem pode se desprender da segunda linha para buscar botes mais à frente. Caso não retome a posse, contudo, o Goiás não tem uma dupla de volantes veloz por característica, o que pode trazer problemas aos zagueiros.

Na meta, Tadeu surge como um dos destaques da equipe, ainda que seu reserva, Marcelo Rangel, tenha um bom retrospecto com a camisa 1. O titular foi o goleiro mais exigido do último Campeonato Brasileiro, sendo, consequentemente, o que fez o maior número de defesas. Por jogo, foram 3,76 defesas, sendo 60% delas em finalizações dentro da área. O padrão, nessa temporada, tem sido mantido: são quatro jogos sem sofrer gols em 11 disputados.

A CAMINHO DO ENCAIXE

Com jovens para desenvolver e atletas experientes para encaixar na equipe, Ney Franco tem diferentes desafios para solucionar durante o Brasileirão de 2020. A capacidade de resposta do Goiás a essas questões será determinante para que as ambições do time sejam explicitadas. No entanto, uma coisa é certa: com a inventividade de Keko, a criatividade de Bessa e a experiência de Sandro, o Verdão é um dos clubes que precisa ter seu desenvolvimento visto de perto nesta temporada.


LEIA A ANÁLISE DOS OUTROS CLUBES

Athletico Paranaense; Atlético Goianiense; Atlético/MG; Bahia; Botafogo; Ceará; Corinthians; Coritiba; Flamengo, Fluminense; Fortaleza; Grêmio; Internacional; Palmeiras; Red Bull Bragantino; Santos; São Paulo; Sport Recife e Vasco da Gama.

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Henrique Letti

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