Guia do Brasileirão 2020 - Palmeiras

O Campeonato Brasileiro 2020 está prestes a iniciar, por isso o Footure reuniu sua equipe e analisou as 20 equipes que disputam o torneio nesta temporada em parceria com as redes sociais do Brasileirao. Por ordem alfabética, o décimo quinto dia do Guia tem foco no Palmeiras

Apesar dos títulos recentes — como a Copa do Brasil em 2015 e os Brasileirões em 2016 e 2018 —, o estilo de jogo praticado pelo Palmeiras nos últimos anos sempre foi bastante criticado. Muito pragmático, o Verdão era pautado por uma proposta mais direta e reativa. E até por isso, visando mudar essa dinâmica, a atual passagem de Vanderlei Luxemburgo, que retornou ao clube no início de 2020, representa uma ruptura estilística na comparação com a maioria dos trabalhos dos treinadores anteriores no Allianz Parque.

Luxa tem em mãos um dos melhores elencos do futebol nacional. Isso pode ser visto através das diversas opções que o Palmeiras oferece para as mais variadas posições. No entanto, a recente saída de sua grande referência técnica, o meia-atacante Dudu, abriu uma lacuna e sua falta está impactando diretamente nas atuações do time Alviverde, que encontra dificuldade em ser mais eficiente na elaboração de jogadas.

O time base do Palmeiras para o Brasileirão
Time base do Palmeiras: Weverton; Marcos Rocha, Felipe Melo, Gustavo Gómez e Matíaz Viña; Bruno Henrique, Patrick de Paula; William, Lucas Lima e Rony; Luiz Adriano

PROTAGONISMO PARA LUIZ ADRIANO E OS MENINOS DA BASE

Com a saída do antigo camisa 7, a tendência é que o protagonismo do time fique sobre Luiz Adriano, vice artilheiro da equipe no ano com seis gols marcados. O centroavante também tem sido importante aparecendo distante da área, oferecendo apoios e acionando companheiros que aparecem da segunda linha com pivôs de qualidade.

Os jovens, por sua vez, também estão sendo importantes. Patrick de Paula tem feito boas atuações no meio-campo, Gabriel Menino deixou bons detalhes a partir de sua versatilidade (utilizado como lateral, meia e ponta) e Gabriel Verón deve ganhar espaço no decorrer do Brasileirão.

COMO ATACA O PALMEIRAS

Em 4-2-3-1, Luxemburgo voltou da pausa bastante preocupado com o comportamento coletivo em saída de bola. Tanto que o padrão da equipe variou nos três jogos recentes. Contra o Corinthians, por exemplo, o goleiro Weverton participou constantemente da primeira fase de construção aparecendo entre os dois zagueiros e participando da saída de bola. Além disso, ele precisou, em alguns momentos, romper a defesa adversária com passes verticais e procurar o lado esquerdo com lançamentos em diagonais. Essa procura pelo lado oposto (concentra o fluxo na direita e lança para esquerda) visa colocar o lateral (Matías Viña/Diogo Barbosa) e o extremo canhoto (Rony) em situações de vantagem tática para receberem com tempo-espaço. 

Nas partidas seguintes, Patrick de Paula, Bruno Henrique, Ramires e até Marcos Rocha apareceram próximos de Felipe Melo e Vitor Hugo/Gustavo Gómez para formarem essa saída de bola com três jogadores. Mesmo com tais variações, a proposta seguiu a mesma: mesclar entre passes curtos e elaborados com os passes longos buscando o lado contrário.

Dentro da ideia, os pontas possuem papéis diferentes, com Rony ficando fixo aberto pela esquerda, enquanto o extremo pela direita — muitas vezes William, Raphael Veiga, Gustavo Scarpa — aparece um pouco mais por dentro, em zonas intermédias no espaço entre o lateral e o zagueiro adversário; Luiz Adriano, o centroavante, constantemente desce em apoio e aparece para o jogo entre linhas ao lado do meia-atacante centralizado (Lucas Lima ou William).

Luiz Adriano é uma das peças mais importantes no sistema do Palmeiras (Dados: WyScout)

O grande problema, no entanto, é que o Palmeiras de Luxemburgo é uma grande teoria. A proposta de ter Weverton trabalhando com os pés e do domínio através da posse é interessante. A questão é que, na prática, tudo isso funciona muito pouco. A S.E.P possui uma circulação lenta e dificuldade para avançar contra equipes recuadas. A falta de um jogador como Dudu, que dava sentido ao sistema ofensivo da equipe ao aparecer nos dois lados do campo para armar as jogadas, está sendo o maior obstáculo para Luxa no Allianz Parque depois da retomada do futebol.

COMO DEFENDE O PALMEIRAS

Sem bola, o Verdão fica posicionado em altura média e pressiona alto em momentos específicos dos jogos. Não é um time agressivo em fase defensiva, com os meio-campistas guardando mais o setor. O Alviverde tende a ser perigoso em transições e em situações de recuperações em faixas avançadas do campo. No entanto, o Palmeiras apresenta alguns problemas para defender as costas dos volantes — o chamado espaço entre linhas. Isso obriga os zagueiros a deixarem suas zonas para fazerem correções.

Além disso, time precisa ficar atento ao controle de profundidade adversária pelos lados do campo – partindo do princípio que concede muitos cruzamentos.

AJUSTES SERÃO NECESSÁRIOS PARA O BRASILEIRO

Por fim, o Palmeiras precisará de pequenas adaptações para confirmar expectativas no Campeonato Brasileiro. Como dito anteriormente, a proposta possessiva de Luxemburgo parece interessante, mas, levando em consideração aos problemas apresentados no Paulistão, parece pouco sustentável diante da elite do futebol nacional. A mudança de sistema pode ser importante para solucionar a fragilidade entre linhas e para buscar uma nova dinâmica ofensiva com outros jogadores. Precisa existir vida depois de Dudu.


LEIA A ANÁLISE DOS OUTROS CLUBES

Athletico Paranaense; Atlético Goianiense; Atlético/MG; Bahia; Botafogo; Ceará; Corinthians; Coritiba; Flamengo, Fluminense; Fortaleza; Goiás; Grêmio; Internacional; Red Bull Bragantino; Santos; São Paulo; Sport Recife e Vasco da Gama.

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Vinícius Dutra

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