Guia do Brasileirão 2020 - Bahia

O Campeonato Brasileiro 2020 está prestes a iniciar, por isso o Footure reuniu sua equipe e analisou as 20 equipes que disputam o torneio nesta temporada em parceria com as redes sociais do Brasileirao. Por ordem alfabética, o quarto dia do Guia tem foco no Bahia

Na temporada 2019, o Bahia de Roger ficou notabilizado por controlar os adversários em linhas baixas e explorar as transições ofensivas. No entanto, em momentos chaves do Brasileiro e Copa do Brasil, faltaram atletas com características para interpretar e lidar com a necessidade de se sobrepor ao oponente através do jogo apoiado. Não à toa as contratações pontuais promovidas por Roger Machado em 2020, sinalizam a incessante procura por ter uma equipe protagonista das ações do jogo em momentos distintos.

Formação base: Anderson, João Pedro, Lucas Fonseca, Juninho, Juninho Capixaba; Gregore e Flávio; Elber, Rodriguinho e Clayson; Gilberto.

O HOMEM DA SAÍDA DE BOLA E A BASE DO ESQUADRÃO

Gregore é um atleta que apresenta uma constância impressionante no cenário nacional. Por isso, é um jogador chave dentro do modelo de jogo de Roger Machado. Na saída de bola, tem papel importante ao se juntar aos zagueiros para realizar uma saída com 3 jogadores. Neste tipo de mecanismo, Gregore sempre está de frente para o jogo. Modificando apenas o posicionamento, ora entre os zagueiros, ora pelos lados.

Se o adversário cria situações para impedir a saída com 3 jogadores, o Bahia busca ter mais atletas em seu campo para facilitar a saída de bola. Dessa forma, os dois zagueiros, os dois laterais e o volante Gregore se posicionam para realizar uma saída de bola com toques curtos. Assim, Gregore busca a bola de costas para o campo de ataque, gira rápido para ficar de frente e dar prosseguimento a jogada. Outro movimento comum na saída de bola é Gregore assumir a posição de João Pedro (lateral direito), Flávio (volante) buscar o jogo de costas e João Pedro avançar na ponta direita.

O Bahia possui alguns bons jovens valores que se destacaram na equipe sub-23 ou vieram emprestados de outras equipes. Dentre os jogadores que se destacaram na equipe de transição do Esquadrão de Aço estão: Alesson, Caíque e Saldanha. Já os emprestados que podem se destacar com a camisa tricolor, o volante Ronaldo e o meia-atacante Fessin são os que chamam mais atenção.

COMO ATACA O BAHIA

Adepto do jogo apoiado, ou seja, com muitos jogadores próximos para tabelar e avançar em direção ao ataque, as contratações dos laterais João Pedro, Zeca, Juninho Capixaba; do meia-atacante Rodriguinho; e do ponta Clayson, nortearam uma mudança na dinâmica com a qual o Bahia busca criar jogadas. Com a posse de bola e ocupando o campo adversário, a equipe de Roger Machado, imprime uma alternância entre manutenção e progressão da bola. Sempre almejando mobilidade, amplitude (dois jogadores bem abertos), superioridade numérica no setor da bola e infiltrações.

E assim como na saída de bola, Roger Machado desenvolveu mecanismos diversos para o momento de criação. Ao atacar, o Bahia utiliza os corredores laterais, na maioria das vezes com 5 jogadores (lateral do setor da bola, 3 meias-atacantes e o centroavante). Mas mesmo tendo o ataque com 5 jogadores como padrão, a forma com que o processo criativo acontece difere à depender do setor do campo. Uma vez que, o lado direito costuma buscar tabelas e dribles e o lado esquerdo tenta chegar a linha de fundo ou a área com poucos toques.

GIBAGOL

Gilberto é o homem responsável por colocar a bola no fundo das redes e os números tem sido positivos para ele (Dados: WyScout)

Na fase de finalização a equipe do Bahia sempre busca ter ao menos três jogadores pisando à grande área para arrematar ao gol. Não por acaso, dos 15 gols marcados, 11 foram assinalados de dentro da grande área, 3 de finalizações de média distância e outro de pênalti. E as origens na maioria dos casos foram de cruzamentos ou lançamentos para infiltração. Quase metade dos gols (7) foram marcados por Gilberto. E todos dentro da grande área. Gilberto por sinal, tem uma média de gols bastante alta. A cada 3 jogos, o camisa 9 do Tricolor de Aço balança as redes 2 vezes.

COMO DEFENDE O BAHIA

Ao perder a bola os jogadores do Bahia buscam realizar uma pressão imediata para tentar recuperá-la. Não conseguindo a recuperação, Gregore e Flávio vão à caça buscando impedir o avanço do time adversário. Enquanto o adversário é pressionado, os demais jogadores buscam retornar as posições de origem para se reorganizar. E um conceito muito trabalhado por Roger é que a última linha de defesa sempre esteja com 4 jogadores.

Não tendo sucesso na recuperação da posse de bola, o Bahia se reorganiza e entra em organização defensiva. Com duas linhas de quatro (4-4-2), a equipe procura pressionar o jogador adversário com a bola e induzi-lo para o lado para que fique mais longe do gol e através da superioridade numérica e da qualidade dos próprios jogadores consiga pressionar e impedir o avanço.

Já em linha alta, o Bahia se estrutura no 4-1-3-2 e busca realizar a pressão no portador da bola para dificultar a ação do adversário ficar de frente, forçando retornar a bola para trás ou ao erro. Porém, neste cenário existe um aumento dos riscos de desestruturação. 

UMA EQUIPE EM BUSCA DO EQUILIBRIO

O Bahia tem se mostrado uma equipe à procura do equilíbrio. Como esperado, não atingiu o ápice das formas físicas, técnicas, táticas e mentais. A equipe incorre em erros de movimentos coordenados no ataque. Por exemplo, a falta de agressividade à última linha de defesa adversária. Os jogadores buscam sempre receber a bola no pé, ao invés de atacar o espaço. E muita das vezes acarreta na falta de fluidez ofensiva.

Um adendo interessante é que com as entradas de João Pedro, Juninho Capixaba e por último Rodriguinho, o conjunto do Bahia potencializou o jogo apoiado e teve um incremento substancial no acabamento das jogadas (cruzamentos, passes, lançamentos e finalização). No entanto, perdeu em agressividade sem a bola. Além disso, necessita de uma maior compactação ofensiva e defensiva para que o adversário tenha mais dificuldade em progredir.


LEIA A ANÁLISE DOS OUTROS CLUBES

Athletico Paranaense; Atlético Goianiense; Atlético Mineiro; Botafogo; Ceará; Corinthians; Coritiba; Flamengo; Fluminense; Fortaleza; Goiás; Grêmio; Internacional; Palmeiras; Red Bull Bragantino; Santos; São Paulo; Sport Recife e Vasco da Gama.

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Jonatan Cavalcante

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4 comentários

  1. Confesso que me decepcionou um pouco o jogo reativo e direto do Roger ano passado. Mas entendi que era a forma dele de manter-se empregado e ganhar a confiança do torcedor, já que o time também teria dificuldades em se adaptar a uma Idea mais ofensiva e posicional. No entanto, para esse ano, penso que o Bahia possa realizar um jogo ofensivo, apoiado e até mesmo mais posicional em jogos em que enfrentará times fechados.

  2. Quem serão os jogadores que irão dar amplitude? Se é que vai ter.
    Quando a bola estiver pelo lado direito, o J. Capixaba ai fechar pelo meio ou vai ficar aberto para explorar a linha de fundo? E o contrário?
    Talvez não exista um buraco pelo centro do campo quando atacado? Pois se não conseguir roubar a bola pós perda, e os volantes tiverem que sair a caça, quem protege a linha de 4? N ficaria muito vulnerável o entrelinhas?
    O Rodriguinho pode ser o cara que vai dificultar a marcação pressão em bloco alto, devido a parte física, e a lentidão…?

    1. Fala, Christian Pereira. Tudo bom?

      – Olha… a amplitude no Bahia ela acontece sim. Ela pode acontecer de três formas: com os dois laterais (João Pedro e Juninho Capixaba) bem abertos, com os dois extremos ou com um extremo e um lateral.
      – Quando a bola chega no terço final de campo, o lateral oposto à bola fecha por dentro.
      – Esse é um problema que Roger tem tentando ajustar. O pós-perda e a pressão em bloco alto se não feita em bloco e compactado gera espaços na entrelinha.
      – De fato o Rodriguinho não será o jogador responsável por subir a marcação. Isso fica à cargo dos volantes Flávio e Gregore. Rodriguinho realiza uma pressão mais posicional, fechando linhas de passe.

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