Guia do Brasileirão 2020 - Corinthians

O Campeonato Brasileiro 2020 está prestes a iniciar, por isso o Footure reuniu sua equipe e analisou as 20 equipes que disputam o torneio nesta temporada em parceria com as redes sociais do Brasileirao. Por ordem alfabética, o sétimo dia do Guia tem foco no Corinthians

O Corinthians entrou em 2020 com uma mudança de comando técnico que se distancia da filosofia tão vencedora dos últimos anos. Apesar do anúncio de Tiago Nunes representar essa possível quebra de identidade, o torcedor corintiano celebrou a chegada do novo treinador que fizera um excelente trabalho ao conquistar uma a inédita Copa do Brasil com o Athletico Paranaense.

Entre eliminação na Libertadores e baixo aproveitamento no Campeonato Paulista, o Corinthians oscilou boas e más apresentações, e já se faz possível enxergar pontos interessantes e também algumas fragilidades, principalmente em encaixar sistema de jogo as características dos jogadores.

Time base do Corinthians em 2020
Formação base do Corinthians: Cássio; Fágner, Gil, Danilo Avelar (Bruno Méndez) e Sidcley; Camacho e Cantillo; Ramiro, Luan e Everton; Boselli

COMO JOGA O CORINTHIANS DE TIAGO NUNES

Como a equipe ainda busca a sua melhor formatação, diferentes desenhos táticos já foram testados pelo treinador. No início do ano, o 4-2-3-1 com Luan flutuando entrelinhas – atrás dos volantes adversários – e Ramiro aberto pela direita, proporcionaram ao time um camisa 7 bastante construtor e participativo no terço final, e o camisa 8 conseguindo equilibrar bem as ações ofensivas e defensivas da equipe. 

Após um resultado negativo contra o Guarani/PAR no primeiro jogo da Libertadores, o desenho se transformou para o 4-4-2. A lesão do Ramiro foi um detalhe fundamental para essas mudanças, isso porque o meia tornou-se o braço direito do Tiago Nunes nessa transição de modelo de jogo do Corinthians. Entre os 11 titulares, é o que melhor consegue equilibrar boas participações tanto em momento ofensivo quanto em momento defensivo, e sua ausência comprometeu o rendimento coletivo do time.

Com a bola, os times do treinador gaúcho se caracterizam por muita movimentação. Os zagueiros são os primeiros homens de construção, e nesse cenário, Pedro Henrique vivia seu melhor momento com a camisa do Corinthians. Muito bem nos passes a quebrar linhas de marcação adversária, além de ter velocidade para se recuperar quando o adversário explora as costas dessa última linha de defesa, que joga avançada.

Os laterais se espetam pelas beiradas do campo e oferecem amplitude a equipe, enquanto os extremos – Everaldo, Ramiro, Janderson e companhia – criam por dentro e buscam associação com Luan entrelinhas para atacar os espaços a partir dos pivôs de Boselli.

Os pontos fortes desse jogo posicional corintiano dão-se por essa movimentação de Luan, o nível técnico do Boselli para fazer o pivô e finalizar as jogadas, a potencialização do Fagner pelo sistema a gerar profundidade, o alto nível de jogo associativo da dupla de volantes, os lançamentos longos de Cantillo e Ramiro sendo o jogador mais versátil e intenso nas transições.

COMO O CORINTHIANS SE DEFENDE

Ao perder a bola, o time compacta suas linhas e inicia a movimentação de pressão pós-perda. Os jogadores mais próximos da jogada cercam o portador e tentam recuperar em até 5 segundos. Não retomando a posse, o 4-4-2 se desenha e os jogadores se reposicionam.

Contudo, ainda não há uma maturação da equipe para executar esses movimentos com a precisão necessária. Gil ainda se mostra com dificuldade para atuar nesse modelo de jogo. Sendo um zagueiro com característica predominante de proteger a área – e o faz muito bem – ele busca correr para trás e fechar os espaços para o adversário infiltrar na área, em vez de adiantar-se para compactar as linhas. Com a saída do Pedro Henrique, Danilo Avelar será testado na posição, mas também lhe falta característica do passe vertical.

Além disso, os laterais participam muito do jogo ofensivo. Pelo lado direito, a presença de Ramiro equilibra o time diante das subidas do Fagner, já pelo lado esquerdo, Sidclay não mostrou boa forma física para efetuar as recomposições e Luan não consegue entregar o mesmo em transição defensiva.

É preciso ponderar que Luan é muito importante para o jogo com bola do Corinthians. Ao atrair o adversário para o seu campo defensivo a partir da saída de jogo pelo chão, mas deixando os atacantes avançados para gerar um espaço entre o bloco que pressiona a saída e a linha de defesa que acompanha os atacantes, a equipe permite liberdade para Luan explorar esse espaço e atuar próximo a zona da bola, gerando linha de passe e carregando o time para frente.

CANTILLO, O DESTAQUE DO TIME

A dupla de volantes Camacho e Cantillo se completa. O primeiro entrega mais suporte físico defendendo a grande área e arma o Corinthians desde trás junto aos zagueiros. Cantillo, diferente dos segundos volantes que estamos acostumados a ver jogar no Corinthians, participa mais do início das jogadas que aparecendo na área como elemento surpresa. Tanto que suas estatísticas nunca chamaram atenção para número de gols e assistências, mas sim pelo tanto que aciona o terço final – onde está Luan – com uma média de 17.5 passes para o setor.

Cantillo é uma das peças-chave do Corinthians ao armar as jogadas, fazer inversões de jogo para Fágner e ser ótimo defendendo (Dados: WyScout)

A precisão em lançamentos longos também chama atenção. Como Tiago Nunes prefere que a equipe sempre tente sair jogando, é comum que o adversário pressione com a marcação alta, e a capacidade do volante colombiano em se movimentar para ser opção de passe a rapidamente acionar o ataque com passes longos é uma das principais armas da equipe alvinegra. 

O RETORNO DE JÔ

Entre desconfianças sobre a titularidade do Boselli por uma parte da torcida e a possível não renovação do contrato do argentino, a volta de Jô foi muito comemorada pela torcida. Por ser um jogador alto, muito móvel e excelente finalizador, o atacante volta para o Corinthians com expectativa de resolver muito dos problemas ofensivos do timão. 

Em 2017, Jô teve 31 participações diretas em gols (25 gols + 6 assistências) em 60 jogos. O atacante participou diretamente de 36% dos gols marcados pelo clube na temporada. Sua movimentação atraindo os zagueiros e alta capacidade de fazer o pivô e distribuir as jogadas promete potencializar o jogo dos laterais e principalmente de Luan.

Além disso, a volta dos jogos após tantos meses de paralização vai colocar a prova o nível físico de todos os jogadores, então tanto o Jô quanto o Boselli poderão ser bastante utilizados no brasileiro – além de possíveis testes para atuarem juntos, especialmente quando o Corinthians precisar correr atrás do resultado.

UM TRABALHO A LONGO PRAZO

Tiago Nunes tem experiência positiva em resgatar jogadores que estejam em desuso ou sem confiança, além de potencializar os mais jovens, algo que há tempos o Corinthians não prioriza tanto, mesmo tendo uma base vencedora. Nesse contexto, nomes como Piton, Bruno Mendez, Araos e Mateus Vital podem se tornar mais presentes nessa temporada.

A longo prazo, seria um trabalho promissor para brigar pelo título, mas é preciso paciência na adaptação a essa nova filosofia, e acredito que o principal objetivo seja a busca por vaga na Libertadores.


LEIA A ANÁLISE DOS OUTROS CLUBES

Athletico Paranaense; Atlético Goianiense; Atlético/MG; Bahia; Botafogo; Ceará; Coritiba; Flamengo; Fluminense; Fortaleza; Goiás; Grêmio; Internacional; Palmeiras; Red Bull Bragantino; Santos; São Paulo; Sport Recife e Vasco da Gama.

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Giselle Andreolla

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